23 de Julho de 2010 | Colunas | Política
20 anos da greve dos Golas Vermelhas
Movimento reafirmou a organização no local de trabalho e abriu as portas para construir as relações com as empresas que existem hoje.

Greve inovadora numa época de pouco diálogo

Há 20 anos, no dia 23 de julho de 1990, a greve dos golas vermelhas na Ford completava 42 dias sem indícios que apontassem para seu fim. Bem ao contrário, as relações entre empresa e trabalhadores pioravam, indicando para a radicalização do movimento. A greve havia começado em 11 de junho, dia em que os 900 trabalhadores na ferramentaria e manutenção cruzaram os braços por um reajuste superior aos 11,42% definidos pela Fiesp. Por usarem jaleco azul com golas vermelhas, o movimento ganhou esse nome. Eram tempos difíceis, com sucessivos pacotes econômicos tentando conter os altos índices de inflação. O último havia sido baixado pelo ex-presidente Collor em março daquele ano, com recessão, demissões e achatamento salarial. Muitas empresas tentaram negociar redução da jornada com redução salarial. Dois dias depois de os golas vermelhas cruzarem os braços toda a fábrica parou, deixando sem serviço os outros 6.500 trabalhadores. Estes, por sua vez, doaram o valor de 10 horas mensais para bancar os salários dos golas. "Nossa greve deixou o patrão sem ação porque ela é estratégica, só parando um setor. Com os companheiros bancando os dias dos golas, eles só voltam depois de uma boa proposta, que será estendida para todos", comentava um dos trabalhadores.

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