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15 de Março de 2019

Dicas de leitura: Mulheres!

Você sabia que o CEMPI possui uma biblioteca especializada com mais de 1.300 obras? Sindicalismo, política, greves, movimentos sociais, trabalho e muito mais. Todos para pesquisa e consulta no local. E para celebrar esse mês de luta, o departamento de memórias do Sindicato destaca três publicações sobre a vida da mulher metalúrgica.

Mulher Metalúrgica: Família, trabalho e amores de dez operárias do ABCD Paulista 
(Joyce Peixe Hara, Júlio Frascino, Keli Rodrigues, Leila Fernanda Melo e Sylvia Barreto – 2005)

Trabalho de Conclusão de Curso que deu origem a este livro-reportagem apresenta aos leitores dez personagens com histórias que foram organizadas a partir da respectiva faixa etária. Os autores traçaram um paralelo entre a vida e o trabalho dessas mulheres, mostrando as mudanças ocorridas ao mesmo tempo que revela conflitos e comportamentos que persistem no decorrer da história da mulher operária brasileira.

“Mesmo sem um diploma na mão, Olga fez história dentro da Volkswagen. Nem tanto pelos 35 anos que ficou lá. Mas por ter sido a primeira mulher a ocupar cargo de representantes de funcionários das multinacionais.

‘Olga vai à luta em defesa dos funcionários’
‘Mulher integra Comissão de Fábrica na Volkswagen’
‘Montadora tem representante mulher’

Essas manchetes de jornais destacaram seu pioneirismo.

....

Passou à margem das grandes manifestações do final da década de 70 e início dos anos 80. O engajamento começou meio por acaso, já nos anos 90. Quando o sindicalista Antônio Zanellato morreu, em novembro de 1992, os funcionários da primeira área ficaram sem representante para levar as reivindicações ao setor de Recursos Humanos da empresa.

Olga candidatou-se para completar o mandato do amigo, mas tinha concorrência ao cargo. Três homens também estavam na disputa. E o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC só poderia apoiar um nome. Antes da inscrição dos nomes, veio a surpresa. Eles abriram mão e Olga ficou sozinha no páreo. Recebeu 419 votos de um total de 433. Os mais de 96% de apoio popular a transformaram na primeira e única mulher entre os 24 integrantes da representação interna.

Ela assumiu o novo cargo em 1º de abril de 1993. Nesse mesmo ano, Olga e a Comissão de Fábrica na Volks tiveram um encontro com o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, filiado ao PT, que se candidataria no ano seguinte, pela segunda vez, à presidência da República.” Trechos do capítulo Olga [Irene do Nascimento], metalúrgica aposentada na Volkswagen e primeira mulher na Comissão de Fábrica de uma montadora

 

Basta! Mulher não é saco de pancada
(Publicação da Comissão de Mulheres Metalúrgicas do ABC  2016)

 

Em agosto de 2016, a Comissão de Metalúrgi­cas do ABC lançou revista para trazer à tona a violência contra a mulher. O material mostra números alar­mantes no Brasil e no mundo. Informações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, já apontava que o País tinha, em média, 527 mil estupros por ano, sendo registrados apenas 50,6 mil casos, ou seja, sem a notificações de 90% dessa estatística.

Outro dado é que 67% dos estupradores eram parentes próximos ou conheci­dos das vítimas. O Brasil é o 5º País do mundo onde mais se mata mu­lheres, segundo relatório das Na­ções Unidas, a Síria, mesmo em guerra civil, ocu­pa o 64º lugar. As informações sobre violência doméstica tam­bém assustam, cinco mulheres são espancadas a cada dois mi­nutos e mais de 70% em casa.

A edição espe­cial, que trata de questões a res­peito do machismo, violência de gênero e cultura do estupro foi distribuída para os trabalhadores da base na época, mas ainda está disponível no site do Sindicato. Acesse: Basta! Mulher não é saco de pancada.

 

As Operárias do ABC 
Reestruturação Produtiva, Relações de Gênero e Participação Sindical Feminina nos Anos 1990 (Ivete Garcia – 2007)


 

De acordo com a obra, o livro é resultado de uma dissertação de mestrado que cita, paralelamente a organização sindical e de classe, o movimento de mulheres que despontava como ator social no campo das questões cotidianas com a luta por creches, moradia e saúde.

A autora encontrou duas dimensões que convivem contraditoriamente. De um lado, os avanços inegáveis na organização das mulheres e incorporação da perspectiva de gênerto ao movimento sindical. De outro, a presença de práticas do sindicalismo com espaço masculino. 

A pesquisa confirma a indissociabilidade entre produção e reprodução. Mostra como nas fábricas o capital utiliza o trabalho feminino tendo como parâmetro o vínculo das mulheres com o mundo da reprodução.

 

CEMPI - Centro de Memória, Pesquisa e Informação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

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