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16 de Maio de 2018 | Notícias

Negociação não avança e greve na Mercedes continua

Fotos: Edu Guimarães

A reunião realizada na tarde da última segunda-feira, entre o Sindicato e a direção da Mercedes, em São Bernardo, terminou sem avanços na proposta de acordo coleti­vo. Diante do impasse, os trabalhadores na montado­ra decidiram continuar de braços cruzados por tempo indeterminado.

Uma nova assembleia está marcada para hoje, às 7h30, para informações so­bre as negociações e avalia­ção da greve.

Em assembleia na manhã de ontem, os representantes do Comitê Sindical de Em­presa, o CSE, falaram aos companheiros sobre a pos­tura intransigente da direção que, inclusive, distribuiu um boletim lamentando a greve e informando que desconta­rá os dias parados.

“Nos últimos dias, nos es­forçamos ao máximo para buscar, por meio do processo de negociação, uma proposta possível de ser apresentada aos trabalhadores e trabalha­doras. Depois da conversa de ontem (segunda), a empresa distribuiu um boletim ‘la­mentando’ o início da greve, mas somos nós que lamen­tamos essa intransigência”, avaliou o coordenador do CSE na montadora, Ângelo Máximo de Oliveira Pinho, o Max.

O coordenador ressaltou que os trabalhadores estão muito cientes do que signi­fica a paralisação iniciada na segunda-feira. “A greve tem um objetivo concreto que é atingir a pauta colocada na negociação, mas também tem o sentido de tornar as pessoas mais companheiras. Quem passa pelo processo de luta junto, ao final, além do resultado da negociação, tem o sentimento de solida­riedade fortalecido”.

“Quem está participando de uma greve pela primeira vez deve começar a exerci­tar o companheirismo, que também é construído nesse processo”, completou.

O secretário-geral do Sin­dicato, Aroaldo Oliveira da Silva, lembrou a importância de os companheiros ficarem atentos à comunicação ofi­cial em um momento delica­do como este. “A informação se tem proposta ou não é dada aqui no caminhão de som. Em um momento de greve, a comunicação é algo muito importante, por isso é preciso tomar cuidado com especulações e informações desencontradas”.

“Precisamos ter incorpo­ração ao salário, rediscutir a fórmula do cálculo de PLR e achar uma alterna­tiva para essa redução de custo que a empresa coloca com a redução de horistas indiretos e mensalistas”, explicou o secretário-geral do Sindicato sobre a pauta dos trabalhadores.

Além de batalhar para manter os empregos, o Sindi­cato não aceita as propostas da montadora de voltar com a meta do absenteísmo (falta ou atraso), que a Mercedes alega ser de 10%; de excluir itens como a cláusula de estabilidade ao acidentado, a complementação salarial até 120 dias de afastamento e a cláusula de salário ad­missão. Os Metalúrgicos do ABC defendem a manuten­ção de todas as cláusulas e a inclusão de uma cláusula de salvaguarda contra a reforma Trabalhista.

Para além da fábrica

O coordenador do CSE lembrou que a luta não pode se restringir à fábrica e que ela deve servir de referência para outras classes de tra­balhadores. “Nosso embate é muito maior, é preciso discutir também o que está sendo feito fora da fábrica, que tipo de política está sendo construída e apoiada pela classe patronal. Quem acha que a gente não deve fazer esse debate vai ficar à mercê das decisões que eles estão tomando de forma unilateral”, afirmou Max.

“O governo toma deci­sões sem discussão com a população e algumas empre­sas estão fazendo a mesma coisa. Às vezes não perce­bemos a relação da situação interna com a externa, isso exige muito mais esforço. Não vamos ficar fazendo a luta aqui com a regra deter­minada, precisamos também mudar as regras”, finalizou.

Da Redação. 

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