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11 de Julho de 2018 | Notícias

"Rota 2030 não dá conta dos desafios da indústria nacional"

Foto: Adonis Guerra

Após o Brasil ficar desde janeiro sem um regime automotivo, Temer as­sinou a Medida Provisória que cria o Rota 2030 no último dia 5. A MP precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em 120 dias. O diretor executivo dos Metalúrgicos do ABC, respon­sável por políticas industriais, Wellington Messias Damasce­no, acompanhou as discussões no ano passado e criticou a MP.

“O Rota 2030 ficou muito dis­tante de ser um programa para a indústria automotiva nacional. A Medida sequer contempla a produção no Brasil, o fortaleci­mento da cadeia produtiva, não garante empregos, renda nem atração de investimentos, como foi o Inovar-Auto”, afirmou.

“Por ser de longo prazo, com validade de 15 anos, o Rota 2030 deveria ser um programa estru­turante e robusto. Do jeito que está, não dá conta dos desafios da indústria nacional”.

Os Ministérios da Fazenda e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o MDIC, não chega­vam a um consenso dentro do próprio governo, o que deixou o País sem uma política para o se­tor desde o fim do Inovar-Auto, em dezembro do ano passado.

“A falta de um regime auto­motivo desde o começo do ano mostrou a total falta de visão estratégica desse governo ilegí­timo. Essa falta de ousadia pode colocar em xeque o futuro da indústria, já que essas medidas não estimulam a produção, o conteúdo local nem a qualifica­ção profissional dos trabalhado­res”, avaliou.

Wellington lembrou que o Sin­dicato buscou espaço no proces­so de discussões de elaboração do Rota para colocar o ponto de vista dos trabalhadores. “Foram realizadas diversas reuniões ao longo do ano passado e o go­verno ignorou as contribuições das diversas entidades que par­ticiparam do processo”, criticou.

“Sem um programa que dê conta dos desafios da indústria nacional, há o grande risco de uma nova invasão de impor­tados e retrocessos. Quando a produção industrial é aqui, há geração de riquezas, empregos, conhecimento e inteligência no Brasil. Se a indústria só impor­tar, não teremos nada”, alertou.

O Sindicato está trabalhando, junto aos parlamentares, emen­das para que o Rota 2030 seja um programa efetivo para o setor. “Os Metalúrgicos do ABC pautaram a criação do Observa­tório das Indústrias para fiscali­zar se os investimentos em pes­quisa e desenvolvimento estão, de fato, sendo feitos. Queremos assegurar nossa participação para fortalecer e fazer com que o Observatório cumpra seu papel. Esperamos que, a partir das eleições e de um governo comprometido com a classe tra­balhadora, o Rota 2030 possa ser melhorado com a participação dos trabalhadores”, disse.

Foto: Edu Guimarães

O Sindicato também defendeu a inclusão das ferramentarias para o fortalecimento da in­dústria. O desenvolvimento de ferramental é um dos itens estratégicos em Pesquisa e Desenvolvimento, além de nanotecnologia, inteligência artificial, entre outros.

“O Rota 2030 deveria ser do tamanho da indústria bra­sileira. Vamos lutar para isso”, concluiu.

O Inovar-Auto, em vigor de 2013 a 2017, foi a política de incentivo fiscal para as mon­tadoras e empresas da cadeia automotiva para investirem em pesquisa, engenharia e desen­volvimento tecnológico, com aquisição de peças nacionais e determinava que partes da produção deveriam ser feitas nas plantas do Brasil. Também definia metas para que os car­ros se tornassem mais seguros, eficientes e menos poluentes. As novas plantas instaladas no País alcançaram mais de R$ 16 bilhões em investimentos e mais de 54 mil empregos dire­tos e indiretos foram criados.

Híbridos e Elétricos

Decreto reduz o Imposto sobre Produto Industrializado, o IPI, sobre veículos híbridos e elétricos, de 25% para uma faixa entre 7% e 20%, depen­dendo do peso do veículo e da eficiência energética. Porém, o Rota 2030 não contempla o de­senvolvimento nem a produção desses veículos no Brasil.

Da Redação. 

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