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4 de Setembro de 2018 | Notícias

Sindicato debate futuro da indústria com BNDES

Estudo aponta os principais setores que podem alavancar a tecnologia no Brasil e, a partir daí, propor ações e políticas públicas em defesa da inteligência nacional

Com a situação atual de desmonte da indústria brasileira, emprego industrial em queda, falta de políticas públicas para o setor e as empresas públicas sendo entregues pelo governo, o Sindicato debateu propostas e desafios do desenvolvimento tecnológico com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.

O encontro foi na reunião do Conselho da Executiva de quinta-feira, dia 30 de agosto. O diretor executivo dos Metalúrgicos do ABC, responsável por Políticas Industriais, Wellington Messias Damasceno, explicou a importância da interlocução com entidades que também debatem a indústria nacional para apontar caminhos.

“Diante desse cenário no País, o Sindicato, preocupado com o futuro da indústria, tem atuado em defesa de políticas de fortalecimento do setor e dos empregos de qualidade. O BNDES tem papel importante no financiamento das empresas e de novos projetos e o estudo de mapeamento da indústria dialoga com a preocupação de futuro da categoria”, afirmou.

“Os setores destacados pelo mapeamento do BNDES têm impacto direto na categoria, com empresas na base do setor automotivo, defesa, petróleo e gás e eólico. A indústria sente os impactos da falta de uma política de conteúdo local, com grandes riscos de fim da indústria nacional e aumento das importações”, continuou.

Mapa da indústria

Os integrantes do Departamento de Bens de Capital, Mobilidade e Defesa do BNDES, o gerente, Luiz Daniel Willcox, e o economista, Thiago Holanda, apresentaram o estudo que identificou os setores da indústria com mais potencial para alavancar a tecnologia no País.

O levantamento foi feito dentro do BNDES por meio da aplicação de dois formulários. Foram identificadas 350 tecnologias em 15 setores, que foram divididas em categorias, analisadas e cruzadas dentro de um mapa tecnológico.

Um dos setores com mais potencial tecnológico é o de petróleo e gás, com as chamadas “fábricas submarinas”, já que a demanda de extração de petróleo no fundo do mar exige o desenvolvimento de novas tecnologias.

Outro setor é o de saúde, com o uso de equipamentos médicos e a nanotecnologia em medicamentos e vacinas. O terceiro é o de aeroespacial e defesa, que inclui a ciberdefesa, ou seja, um sistema de defesa para evitar ataques digitais. 

Entre as tecnologias usadas em diferentes setores, estão a biotecnologia, que inclui novos materiais e o etanol; eletrônica e ótica avançadas e manufatura padrão e avançada, que estão diretamente ligadas ao setor automotivo.

O setor de energia aparece com a demanda do desenvolvimento por conta dos carros elétricos. Wellington lembrou que a transição para o carro elétrico é uma das preocupações do Sindicato.

“O motor elétrico demanda muito menos dentro do processo de desenvolvimento do carro, com o fim da fundição e usinagem, por exemplo. Temos que estar à frente da discussão para defender o desenvolvimento e a produção no País e na região”, disse. 

Os dirigentes do Sindicato debateram propostas e os desafios. Um deles é como fazer a inteligência ser desenvolvida no Brasil, já que os centros de decisão das multinacionais estão fora.

“A indústria nacional é essencial para o avanço do País, com trabalhadores qualificados e empregos bem remunerados. Mais do que isso, é preciso criar condições para o desenvolvimento da tecnologia como estratégia de País”, concluiu Wellington.

Fotos: Adonis Guerra

Da Redação. 

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