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4 de Setembro de 2018 | Notícias

Fala Wagnão - Queimam as riquezas, sucateiam o País

Foto: Divulgação

O incêndio no Museu Nacional mostra o completo descaso do governo com tudo àquilo que é público, com as riquezas do País, com a herança para as próximas gerações. Não é novidade o sucateamento que esse governo tem feito desde a aprovação da PEC dos Gastos, que congelou investimentos públicos por 20 anos. 

Como pode o museu de 200 anos e mais de 20 milhões de itens, com a importância que tem, ter o orçamento reduzido? Este ano os repasses do governo federal não chegaram a R$ 100 mil.

Reproduzo o depoimento do servidor do museu, Rui da Cruz Jr., que demonstra esse sentimento geral de indignação.

“Queimamos o quinto maior acervo do mundo.

Queimamos o fóssil de 12 mil anos de Luzia, descoberta que refez todas as pesquisas sobre ocupação das Américas.

Queimamos murais de Pompeia.

Queimamos o sarcófago de Sha Amum Em Su, um dos únicos no mundo que nunca foram abertos.

Queimamos o acervo de botânica Bertha Lutz.

Queimamos o maior dinossauro brasileiro já montado com peças quase todas originais.

Queimamos o Angaturama Limai, maior carnívoro brasileiro.

Queimamos alguns fósseis de plantas já extintas.

Queimamos o maior acervo de meteoritos da América Latina.

Queimamos o trono do rei Adandozan, do reino africano de Daomé, datado do século XVIII.

Queimamos o prédio onde foi assinada a independência do Brasil.

Queimamos duas bibliotecas.

Queimamos a carreira de 90 pesquisadores e outros técnicos.

O que arde no Museu é uma parte da história antropológica da humanidade. Da história científica da humanidade.

Se eles pudessem, nos queimavam junto com as paredes do museu, com o prédio em si, com as salas de onde D. Pedro II reinou, com os corredores por onde transitaram os feitores da primeira constituição da república, se eles pudessem, nos queimavam.

É imensurável o que perdemos.

Eu tô engolindo o choro.

‘Todos que por aqui passem protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir o seu próprio futuro’. Era isso que vinha escrito no chão, frente ao Museu Nacional”.

Da Redação. 

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