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3 de Outubro de 2018 | Notícias

Na defesa das ferramentarias e dos empregos

*Artigo de autoria do diretor de políticas industriais do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Messias Damasceno, publicado originalmente na Revista "Ferramental", edição 78 (julho/agosto 2018), página 70.

Recentemente, em um estudo realizado pela Subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a pedido do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, apontou a necessidade de políticas de incentivo ao setor de ferramentaria no Brasil.

No documento sobre a evolução do emprego em ferramentarias, entre os anos de 2008 e 2012, houve um aumento de 13,4% nos postos de trabalho, com o pico de 59.512 profissionais empregados no segmento neste último ano.

Após esse período, o estudo apontou uma queda de mais de 10 mil empregos, chegando em 2018 com pouco mais de 48 mil trabalhadores.

Esses dados reforçam a necessidade de entidades, como o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; o Arranjo Produtivo Local, o APL de Ferramentaria do ABC; a Associação Brasileira das Indústrias de Ferramentaria, a Abinfer, lutar em defesa do setor e estarem articuladas na construção coletiva de políticas para o fortalecimento das ferramentarias.

O setor é estratégico para o desenvolvimento de toda a cadeia industrial, detém conhecimento, trabalhadores com mais qualificação e, portanto, melhor remunerados, além de impulsionar a produção no país.

Uma das ações, que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC está empenhado, consiste em pressionar os representantes governamentais para que incluam a ferramentaria nos debates sobre um novo regime automotivo, o chamado Rota 2030, como um pilar estratégico no desenvolvimento da indústria brasileira. A ineficiência do governo federal em aprovar o programa, que seria o substituto do Inovar-auto, traz sérias implicações para a recuperação e avanço do setor de ferramentaria.

Outra medida proposta pelas entidades é a utilização, para a compra de ferramentas, dos créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, retido das montadoras. Essa medida garante que os créditos sejam usados exclusivamente com essa finalidade, no intuito de estimular a produção local.

É importante lembrar que, apesar da indústria automotiva ser um grande propulsor do segmento, outros setores também podem contribuir com o crescimento e fortalecimento, com demandas específicas de ferramental, como a indústria de eletrodomésticos da linha branca, por exemplo.

No esforço de propor novas políticas para o setor, o Sindicato tem realizado encontros com representantes das ferramentarias com o objetivo de ter um panorama geral, que possa nortear as ações nesse sentido.

Com o fortalecimento das entidades e a implementação dessas e outras ações teremos a criação de novos empregos, o crescimento das empresas do setor de ferramentaria e o surgimento de novas cadeias produtivas.

 

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