PESQUISA / SUGESTÕES
RECEBA INFORMAÇÕES
8 de Novembro de 2018 | Notícias

Ministério do Trabalho vai acabar

Medida deve precarizar ainda mais as relações de trabalho no Brasil e as políticas de fortalecimento do emprego e renda

Em mais um golpe na classe trabalhadora, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, anunciou ontem que vai acabar com o Ministério do Trabalho, que trata dos temas de emprego, renda, fiscalização das condições e relações do trabalho e combate ao trabalho escravo. Ele afirmou que “O Ministério do Trabalho vai ser incorporado a algum ministério”, sem detalhar qual.

O secretário-geral dos Metalúrgicos do ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, criticou a medida, que deve precarizar ainda mais as relações de trabalho no Brasil.

“A medida é mais uma mostra da continuidade do golpe nos trabalhadores do país. Já foram aprovadas a reforma Trabalhista, a terceirização irrestrita, com projeto em curso de uma reforma da Previdência que acaba com a aposentadoria dos trabalhadores”, avaliou.

As possibilidades cogitadas de fusão de ministérios já tinham colocado em alerta os principais setores da sociedade.

Entre os setores, entidades patronais ligadas ao setor industrial entregaram a Bolsonaro proposta de fusão do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o MDIC, com o do Trabalho para criação de um Ministério da Produção, Trabalho e Comércio.

O presidente do TID-Brasil, Instituto do Trabalho, Indústria e Desenvolvimento, Rafael Marques, criticou a proposta, que não foi conversada com os trabalhadores.

“A mudança rebaixaria a importância dos trabalhadores e dos direitos. Seria a indústria tutelando questões ligadas ao mundo sindical, um absurdo”, analisou. “Não é uma fusão, seria a indústria prevalecendo no Ministério do Trabalho e isso não podemos concordar”, prosseguiu.

Em nota divulgada, o presidente da CUT, Vagner Freitas, rejeitou a intenção de substituir o Ministério do Trabalho.

“A proposta revela a intenção dos empresários de submeter a agenda do trabalho a seus próprios interesses, o que levará a uma nova ofensiva de retirada de direitos e de precarização das relações de trabalho. Este já é resultado da reforma Trabalhista patrocinada por eles no governo Temer, e cujo aprofundamento teria sido um dos motivos que os levaram a apoiar o presidente recém eleito”, diz a nota.

“A intenção de aprofundar a precarização do trabalho ficou clara durante a campanha eleitoral. Diante deste cenário, a CUT reafirma seu compromisso histórico de continuar a defender incondicionalmente os direitos da classe trabalhadora e a democracia”.

Galinha x raposa

Após críticas, Bolsonaro recuou da fusão das pastas da Agricultura e do Meio Ambiente. As políticas de preservação ambiental e os interesses do agronegócio soaram o alerta nas entidades de defesa do meio ambiente.

Super?

Anunciado futuro ministro da área econômica, Paulo Guedes deve unificar as pastas da Fazenda, do Planejamento e do MDIC para formar o “superministério” da Economia. Guedes defende o modelo chileno para a Previdência Social, que foi implantado pela ditadura no Chile há 37 anos. Atualmente metade dos trabalhadores conseguiram se aposentar, sendo 91% com benefícios de apenas meio salário mínimo.

Da Redação. 

00
comentários para esta matériaCOMENTAR
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Rua João Basso, 231 - CEP 09721-100
Centro - São Bernardo do Campo/SP
TRIBUNA METALÚRGICA


VEJA TODAS AS EDIÇÕES
Buscar por Nº: