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13 de Novembro de 2018 | Notícias

Centrais aprovam resistência permanente contra o desmonte da Previdência

Chileno destaca impacto negativo do modelo previdenciário em seu país. Sistema privado, que deixa maioria na miséria, é defendido por futuro ministro

Em Plenária realizada ontem na sede do Dieese em São Paulo, que reuniu representantes de todas as centrais sindicais, o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, colocou em votação a agenda de luta da classe trabalhadora e a campanha permanente em Defesa da Previdência e Seguridade Social, aprovadas por unanimidade.

“Sabemos que a intenção do governo é implementar no Brasil o sistema de capitalização de previdência privada do Chile. Uma experiência desastrosa. Na verdade, os trabalhadores perderam a previdência, estão desprotegidos e nós não queremos isso para o Brasil”.

“Vamos para as ruas fazer planfletagem nos terminais de ônibus, de metrô, assembleias nas portas de fábrica e ato público. Nossa defesa da Previdência deve ser permanente. Se eles tentarem votar essa reforma goela a baixo dos trabalhadores sem debate, esse país vai viver a maior greve da sua história”, afirmou.

Fotos: Adonis Guerra

Na atividade, o chileno Mario Reinaldo Villanueva Olmedo, dirigente da Confederación Fenpruss, Confederação dos profissionais de saúde, detalhou o sistema previdenciário no Chile e o impacto negativo na vida dos trabalhadores.

Com o tema “A experiência chilena negativa das Administradora de Fundos de Pensão, AFPs, e a necessidade de recuperar e defender a segurança social e o bem-estar”, ele falou sobre o sistema que vigora nos país desde 1981. O modelo, administrado por empresa privadas, no qual cada trabalhador faz a sua poupança, foi instaurado durante a ditadura de Pinochet, sem consulta aos trabalhadores.

Hoje, todos os trabalhadores chilenos são obrigados a depositar ao menos 10% do salário por no mínimo 20 anos para se aposentar. E há uma taxa administração cobradas pelas AFPs de 5%. O país tem a renda per capita mais alta da América Latina, mas os aposentados chilenos recebem de benefício, em média, de 30% a 40% do salário mínimo local.

Segundo o dirigente, os AFPs pagam 1.300.256 pensões, sendo que 44% delas estão abaixo da linha da pobreza e 78% não atingem o salário mínimo.

Mario evidenciou que o sistema de previdência privada falhou. “O principal objetivo dos sistemas previdenciários é proporcionar pensões suficientes para aposentados. No Chile, as AFPs falharam. Elas não cumprem esse objetivo, não dão pensões decentes. Hoje uma pessoa que se aposenta no Chile continua pobre.O estado cuida dos aposentados com pensões de miséria”.

Ele explicou ainda que hoje há um total de 10,7 milhões trabalhadores afiliados ao sistema AFP, mas que contribuem regulamente são apenas 5,4 milhões, devido à instabilidade de emprego.

“O sistema é destinado a injetar recursos no mercado de capitais. Eles pegam os recursos gerados pelos trabalhadores e os transferem para grandes grupos econômicos que possuem bancos”, criticou.

“A seguridade social e a Previdência Social são ireitos dos trabalhadores conquistados com luta e que devem ser defendidos. Sem unidade e mobilização social, não será possível defender e recuperar esses direitos”, finalizou.

O secretário-geral da CUT São Paulo, João Cayres lembrou que este é o modelo que futuro ministro do “superministério” proposto por Bolsonaro, Paulo Guedes, defende.

“O risco é evidente, o plano de governo do Bolsonaro deixa claro que a proposta é a mesma que vigora Chile. Inclusive Paulo Guedes foi uma das pessoas que construiu esse modelo no país, quando ele saiu da universidade, foi trabalhar na ditadura de Pinochet e ajudou a implantar esse modelo previdenciário, que na verdade é um título de capitalização”, lembrou.

“Eu recomendo que cada trabalhador e trabalhadora faça uma simulação de aposentadoria privada, pegando o que ele paga para previdência hoje, o que vem descontado no holerite. Ele vai perceber que é a mesma coisa que o modelo chileno faz, paga em torno de 33%, no máximo 40% do que a nossa Previdência paga. E o banco, além de usar o teu dinheiro e investir em aplicações ainda vai te cobrar 4% a 5% de taxa. É um roubo!”.

Da Redação. 

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