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22 de Novembro de 2018 | Notícias

Dirigentes debatem transformações no trabalho e a luta das mulheres

Foto: Adonis Guerra

Na reunião do Conselho da Executiva ontem, com a participação das dirigentes da Comissão das Metalúrgicas do ABC, foram debatidos os desafios das transformações no mundo do trabalho e as lutas das mulheres.

Para aprofundar o tema, a reunião contou com a palestra da filósofa, socióloga e pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, Helena Hirata, que falou das situações no mercado de trabalho no Brasil, França e Japão.

Ela citou três pontos importantes sobre o trabalho das mulheres no mundo. O primeiro é a bipolarização do emprego, que é dividido em postos de trabalho pouco remunerados e as profissões mais intelectuais, ocupadas pelas mulheres da burguesia.

O segundo é a precarização dos empregos formais. E o terceiro é a expansão dos postos de trabalho relacionados a cuidados das pessoas. “Antes as mulheres cuidavam das pessoas da família de graça e por amor. Com o aumento do número de idosos e das mulheres no mercado de trabalho, muitas ficam impossibilitadas de cuidar e este  trabalho é mercantilizado”, explicou.

A professora citou a França como exemplo de que ainda há muito a avançar na igualdade de salários.

“A França de 1918 tem uma situação idêntica a de 2018, com uma diferença de 25% no salário. Em um século, com toda melhoria nas condições de trabalho e mobilizações, se o homem ganha 1.000 euros, a mulher ganha 750”, exemplificou.

Também afirmou que a terceirização e a reforma Trabalhista afetam ainda mais as mulheres. “A terceirização é um processo antigo, que já tem experiência acumulada sobre as consequências desiguais. As mulheres já estão em postos menos remunerados e mais precarizados. Com a terceirização, têm ainda menos direitos, trabalham em condições muito piores e com salários menores”, disse.

“A reforma Trabalhista, tanto na França quanto no Brasil, aponta para novas formas de exclusão e desigualdade da classe trabalhadora, principalmente para as mulheres. Na França, os direitos trabalhistas são muito mais consolidados o que impede de chegar ao fundo do poço. No Brasil, a reforma pode ser catastrófica”, alertou.

Entre os ataques da reforma francesa está a maior facilidade de demitir mulheres que sofreram assédio sexual e moral, e sindicalistas, já que a indenização a ser paga pela empresa diminuiu de 12 para seis salários mínimos. 

As relações de opressão das mulheres foi outro tema colocado, já que até hoje existem casos de maridos que proíbem mulheres de trabalhar e estudar por ciúmes. “Antes a luta pela emancipação era pela libertação dos trabalhadores escravizados. A partir do século 19, passou a ser dos grupos oprimidos, mulheres e judeus, por exemplo. Não há emancipação individual sem emancipação coletiva e não há a coletiva sem a individual”, disse.

A diretora executiva dos Metalúrgicos do ABC, Michelle Marques, reforçou que a organização da sociedade não foi pensada para as mulheres.

“Um exemplo é a falta de creches. A mãe é a responsável pelos filhos e é quem leva a culpa se a criança se marginaliza. São lutas gerais, não é um tema específico das mulheres. São os homens e as mulheres do futuro. A luta é de todos por uma sociedade mais digna e justa”, afirmou.

A coordenadora da Comissão das Metalúrgicas do ABC, Andrea Ferreira de Sousa, a Nega, falou sobre as dificuldades das mulheres na categoria.

“Mais do que nunca, teremos que estar unidas para resistir aos ataques. Não queremos o espaço do homem, mas o nosso espaço. A defesa é por uma sociedade mais igualitária. Temos que honrar a luta das mulheres que vieram antes de nós e dar continuidade”, concluiu.

Da Redação.

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