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27 de Novembro de 2018 | Notícias

Resistência e luta sempre

Atividade no Sindicato relembrou a luta da população Negra e marcou a transição da coordenação da Comissão de Igualdade Racial

Fotos: Raquel Camargo

A luta e a resistência negra foram os motes principais do evento realizado no último sábado, 24, na Sede, em homenagem ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. Os ícones Zumbi, Dandara, Marielle e Mestre Moa, e também o ex-presidente Lula, hoje preso político, foram inspirações para os artistas que tiveram seus painéis, produzidos especialmente para a data, instalados no prédio do Sindicato.

A data também marcou a transição da coordenação da Comissão de Igualdade Racial e Combate ao Racismo dos Metalúrgicos do ABC.

Antes da exposição dos convidados, o bloco paulistano Pilantragi fez uma apresentação ao som de afoxé e samba reggae. Ainda na abertura, um vídeo sobre racismo institucional mostrou como os negros são vistos de forma depreciativa por alguns profissionais de RH.

A professora e ativista, pós-graduada em Educação para Relações Étnico Raciais pela PUC-SP, Marilandia Frazão de Espinosa, começou sua fala destacando que este ano a data tem um peso ainda maior. “Nesse momento o 20 de novembro tem um agravante um pouco maior, porque estamos saindo de uma eleição extremamente preocupante para todos nós brasileiros que acreditamos em um Brasil melhor, plural e democrático. O que se avizinha é que vamos rever momentos muito obscuros com relação ao que está sendo dito, a criminalização dos sindicatos, dos movimentos sociais e do movimento negro”.

Marilandia Frazão fundamentou sua exposição na política racial institucional e estruturante na sociedade brasileira. Para explicar como esse sistema funciona, lembrou que o país vive uma abolição inacabada, que não tornou a população negra totalmente livre.

“Até hoje estamos em busca dessa liberdade plena, já que a maioria da população negra não acessa os bens e serviços do Estado. Por isso dizemos que é uma abolição inacabada, ela só será acabada quando nós tivermos um acesso pleno aos direitos”, ressaltou.

“Ela é institucional porque a instituição também não se preparou para o acúmulo dessa população que passou a fazer parte dessa sociedade. As instituições não estão preparadas para nossa realidade racial brasileira”, reforçou.

“Não basta só ficarmos reclamando, precisamos pensar em estratégias de como vamos enfrentar isso, temos que nos preparar enquanto trabalhadores, sindicalistas, negros, mulheres, LGBTI, para enfrentarmos o que está por vir e o que já está por aí”, completou.

O militante e ativista Milton Barbosa também fez um resgate histórico, relembrou a revolução do Haiti que classificou como “a única revolução escrava vitoriosa na história da humanidade”. “Eles puseram pra correr os senhores dos escravos, tomaram o poder, eles são um exemplo para humanidade. Quando você olha nos olhos dos haitianos, vê que passavam dificuldade no país deles, mas também percebe a firmeza, porque eles sabem da história deles”.

“Aqui no Brasil 2/3 da população negra era livre e estava inserida na sociedade, na história do Brasil, os grandes músicos, escritores, poetas, escultores são negros, embora exista toda uma estratégia para esconder. E aquele 1/3 que estava escravizado tinha como referência revolução do Haiti e isso preocupava muito a classe dominante que montou uma estratégia para desalojar os negros do processo produtivo”, ressaltou.

Milton destacou que há um processo de genocídio da população negra que se expressa fundamentalmente sobre a juventude, pela violência policial, os grupos de extermínio, o narcotráfico e o mau atendimento na saúde pública.

“Temos que estar atentos e lutar contra isso, precisamos todos assumir esse compromisso, ainda mais neste momento”, afirmou.

Da Redação. 

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