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29 de Novembro de 2018 | Notícias

O perigo pode morar ao lado

São 3,7 milhões de peças golpeadas por mês na Delga, com geração de mais de 600 postos de trabalho. Sindicato e empresa receberam uma comitiva de vereadores para alertar sobre os riscos de fechamento da fábrica caso a construção do prédio residencial se concretize

Fotos: Adonis Guerra

Na Delga, uma das maiores metalúrgicas de Diadema, são 3,7 milhões de peças golpeadas por mês. As máquinas têm 10 metros de altura ou mais, e variam de 400 toneladas a 2 mil toneladas, além do barulho constante das sirenes de alerta e de ré dos caminhões e empilhadeiras. Só na estamparia são seis linhas com mais de 30 prensas, que reverberam 24 horas por dia.

Se pegasse a produção das peças produzidas ali para as principais montadoras do país, daria para montar o interior de um carro. São mais de 600 trabalhadores, sendo 90% moradores da cidade e com mais de 15 anos de fábrica.

Preocupados com o risco de fechamento da empresa pela iminência da construção de um prédio residencial vizinho à fábrica, no Serraria, o Sindicato e representantes da Delga receberam ontem uma comitiva de vereadores da cidade para sensibilizar sobre o risco se o empreendimento imobiliário for concretizado.

O presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, defendeu a importância do trabalho para impedir a construção do prédio residencial.

“O Sindicato vai fazer todos os esforços necessários para evitar que a empresa seja fechada por conta de interesses meramente imobiliários. Estamos falando de mais de 600 famílias que vivem e consomem na cidade, além de uma geração de receitas importante para Diadema”, afirmou.

Wagnão lembrou a construção de um conjunto residencial próximo à Ford, em São Bernardo, que causou sérios riscos de transferência da fábrica da cidade. “Foram diversos problemas de ruído, vibração e rachaduras nos prédios. A estamparia teve que ser transferida para um prédio mais distante, mas lá tinha espaço para isso. A área foi reestruturada, com fim do turno da noite e diminuição de trabalhadores no setor”, alertou.

O coordenador da Regional Diadema do Sindicato e CSE na Delga, Claudionor Vieira do Nascimento, ressaltou a necessidade do envolvimento dos vereadores na luta dos trabalhadores na Delga.

“É muito importante a vinda da comitiva e o empenho de cada um em defesa dos empregos e da indústria no sentido de construir uma saída para a situação. A preocupação para impedir um caos social tem que ser de todos”, chamou.

O diretor de vendas da Delga, Marcos Possari, reforçou que a empresa quer continuar na cidade, mas também lembrou duas experiências trágicas de fechamento de empresas do próprio grupo, em São Paulo, exatamente por conta da construção de residências no entorno. O investimento em uma linha de prensa, de acordo com o diretor, chega a R$ 40 milhões e, para se pagar, não suportaria o fechamento de um turno de trabalho.

Audiência pública

Na sessão da Câmara dos Vereadores no dia 22, os parlamentares aprovaram a realização de uma audiência pública para discutir a situação na Delga, o planejamento do espaço urbano e o conflito de zoneamento existente.

A audiência será no dia 11 de dezembro, às 15h, no plenário da Câmara, que fica na Av. Antônio Piranga, 474, Centro.

No dia 1º, Claudionor entregou abaixo-assinado com mais de 1.500 assinaturas ao prefeito Lauro Michels (PV) e aos vereadores. Também expôs a preocupação do Sindicato e dos trabalhadores no plenário da Câmara. Na ocasião, os vereadores aprovaram a criação de uma comissão para acompanhar o caso.

Da Redação. 

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