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10 de Dezembro de 2018 | Notícias

Sindicato sedia Ato Internacional Lula Livre no 70º aniversário da Declaração Universal dos Diretos Humanos

Representantes de movimentos políticos e sociais do Brasil, América Latina e Europa denunciam perseguição a Lula

Fotos: Adonis Guerra

Centenas de pessoas lotaram o auditório da Sede na noite desta segunda-feira, dia 10, no Ato Internacional Lula Livre, que integrou a programação da Conferência Internacional em Defesa da Democracia e por Lula Livre, promovida pela Fundação Perseu Abramo. A atividade contou com a participação de políticos e representantes de movimentos sociais do Brasil, América Latina e Europa que denunciaram a perseguição ao ex-presidente, preso político há mais de oito meses.

O presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, afirmou que o dia é dedicado a todos e todas que lutaram e lutam pelos direitos das pessoas, contra o preconceito e a discriminação.

“Lutar por Lula Livre é honrar aqueles que assinaram essa Declaração há 70 anos. Não existiria pessoa melhor identificada com essa luta do que quem está em Curitiba com os seus direitos violados”, afirmou.

“Se violam o direito de um companheiro que chegou à Presidência da República, imagine o que são capazes de fazer com cada um de nós. Vamos seguir na luta por uma vida mais democrática, justa e igualitária para todos os brasileiros, brasileiras e cidadãos do mundo”, prosseguiu.

Em nome dos diversos representantes da América Latina, Jorge Taiana, deputado do Parlamento do Mercosul e ex-ministro das Relações Exteriores da Argentina, trouxe a solidariedade do povo argentino.

“Lula não está sozinho em Curitiba e vocês não estão sozinhos aqui. Estamos juntos para lutar por um homem que está injustamente privado de sua liberdade e pela democracia”.

“Quando um homem enfrenta um processo político, todos estamos encarcerados com ele. E devemos denunciar isso, sob o risco de sermos cúmplices”, disse a deputada portuguesa Isabel Moreira, do Partido Socialista.

O encerramento foi feito pelo ex-ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad, que recebeu 47 milhões de votos na última eleição presidencial. Ele lembrou que no dia em que é celebrado os 70 anos da Declaração dos Direitos Humanos, Jair Bolsonaro foi diplomado como presidente e que isso só aconteceu porque Lula foi impedido de participar das eleições. “Hoje defender os direitos humanos, é lembrar que neste dia, Lula estaria sendo diplomado pela 3ª vez como presidente do Brasil”.

Haddad leu a carta enviada por Lula (íntegra abaixo) que apesar de ter todos seus direitos violados, confirma seu compromisso com Direitos Humanos. “Oito meses atrás eu estava aí no Sindicato dos Metalúrgicos, cercado pelo carinho e solidariedade de milhares de companheiros e companheiras que não se conformavam com minha prisão arbitrária e injusta. Quero dizer que continuo com vocês e todos os dias penso no futuro do nosso povo”.

Bordado de 100 metros

Bordadeiras do Coletivo Linhas do Horizonte de Minas Gerais e de São Paulo entregaram ao presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, um tapete bordado de 100 metros de comprimento para que Lula “volte para os braços de seu povo”.

Da Redação com Instituto Lula. 

Leia carta de Lula para o ato realizado oito meses após a resistência democrática contra a sua prisão política no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Meus amigos e minhas amigas,
Esta é uma data muito especial para a humanidade. Há 70 anos, consagramos na ONU uma carta de direitos inspirada na solidariedade, no respeito ao semelhante, no reconhecimento às diferenças, no primado do direito e da liberdade, na busca da paz e do entendimento entre homens e mulheres e nações. Hoje é dia de celebrar o quanto avançamos, desde então, para implementar esses direitos.
É dia de recordar os heróis dessa luta em todos as frentes: Martin Luther King, sacrificado pela defesa dos direitos civis; Nelson Mandela, que viveu 27 anos encarcerado pelo regime do apartheid; Mahatma Gandhi, que ainda antes da carta dos Direitos Humanos fez da não- violência a mais forte resistência ao regime colonial, e tantos outros que lutam no cotidiano por um mundo melhor.
Aqui no Brasil, tivemos a oportunidade de colocar em prática muitos dos preceitos da carta, como a liberdade de organização e de expressão, o fim da censura, o reconhecimento dos direitos das mulheres, das pessoas LGBT. Começamos a resgatar a dívida secular com os negros e os indígenas. E condenamos firmemente a tortura.
É muito triste, para mim, saber que nesta data temos de homenagear dois novos mártires da luta pelos direitos: os companheiros José Bernardo da Silva (Orlando) e Rodrigo Celestino, do MST, assassinados neste fim de semana no acampamento Dom José Maria Pires, na Paraíba.
Peço a todos que prestem uma homenagem a esses heróis do povo brasileiro e da luta pelos direitos humanos. Eles foram vítimas do mesmo discurso de ódio e violência que atingiu Marielle e Anderson, mestre Moa do Katendê e o jovem Charlione Albuquerque, entre tantos outros que foram e são perseguidos e ameaçados.
Estes heróis vão continuar vivendo em nossa luta. Em nome deles vamos defender as conquistas do nosso povo, pelo direito à vida em sua plenitude, contra a intolerância, o preconceito e o arbítrio.
Oito meses atrás eu estava aí no Sindicato dos Metalúrgicos, cercado pelo carinho e solidariedade de milhares de companheiros e companheiras que não se conformavam com minha prisão arbitrária e injusta. Quero dizer que continuo com vocês e todos os dias penso no futuro do nosso povo.
O Brasil e o mundo sabem que os procuradores da Lava Jato, o Sergio Moro e o TRF-4 armaram uma farsa judicial para impedir que eu fosse eleito presidente mais uma vez, como era a vontade da maioria dos eleitores. Fui condenado por “atos de ofício indeterminados”, ou seja: por nada. Não apresentaram uma prova contra mim e desprezaram todas as provas de minha inocência.
Hoje tenho certeza de que tenho o sono mais leve e a consciência mais tranquila do que aqueles que me condenaram. Não quero favores; quero simplesmente justiça. Não troco minha dignidade pela minha libertação.
Agradeço profundamente a solidariedade que recebo todos os dias, de pessoas do Brasil e de outros países. Agradeço aos companheiros da vigília Lula Livre, aos que mandam cartas ou me visitam em Curitiba, aos que fazem manifestações, redigem petições, atuam nas redes sociais exigindo o julgamento justo a que tenho direito.
Estou consciente de que, mesmo nas condições difíceis que estamos vivendo, não só no Brasil mas em muitos países, a luta pela efetivação dos Direitos Humanos vai seguir adiante. Ainda iremos construir um mundo de paz e fraternidade, onde todos e todas, sem exceção tenham direito a uma vida digna.
Até o dia do nosso reencontro, um abraço do companheiro
Luiz Inácio Lula da Silva

Leia carta de Lula para o ato realizado oito meses após a resistência democrática contra a sua prisão política no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Meus amigos e minhas amigas,

Esta é uma data muito especial para a humanidade. Há 70 anos, consagramos na ONU uma carta de direitos inspirada na solidariedade, no respeito ao semelhante, no reconhecimento às diferenças, no primado do direito e da liberdade, na busca da paz e do entendimento entre homens e mulheres e nações. Hoje é dia de celebrar o quanto avançamos, desde então, para implementar esses direitos.

É dia de recordar os heróis dessa luta em todos as frentes: Martin Luther King, sacrificado pela defesa dos direitos civis; Nelson Mandela, que viveu 27 anos encarcerado pelo regime do apartheid; Mahatma Gandhi, que ainda antes da carta dos Direitos Humanos fez da não- violência a mais forte resistência ao regime colonial, e tantos outros que lutam no cotidiano por um mundo melhor.

Aqui no Brasil, tivemos a oportunidade de colocar em prática muitos dos preceitos da carta, como a liberdade de organização e de expressão, o fim da censura, o reconhecimento dos direitos das mulheres, das pessoas LGBT. Começamos a resgatar a dívida secular com os negros e os indígenas. E condenamos firmemente a tortura.

É muito triste, para mim, saber que nesta data temos de homenagear dois novos mártires da luta pelos direitos: os companheiros José Bernardo da Silva (Orlando) e Rodrigo Celestino, do MST, assassinados neste fim de semana no acampamento Dom José Maria Pires, na Paraíba.

Peço a todos que prestem uma homenagem a esses heróis do povo brasileiro e da luta pelos direitos humanos. Eles foram vítimas do mesmo discurso de ódio e violência que atingiu Marielle e Anderson, mestre Moa do Katendê e o jovem Charlione Albuquerque, entre tantos outros que foram e são perseguidos e ameaçados.

Estes heróis vão continuar vivendo em nossa luta. Em nome deles vamos defender as conquistas do nosso povo, pelo direito à vida em sua plenitude, contra a intolerância, o preconceito e o arbítrio.

Oito meses atrás eu estava aí no Sindicato dos Metalúrgicos, cercado pelo carinho e solidariedade de milhares de companheiros e companheiras que não se conformavam com minha prisão arbitrária e injusta. Quero dizer que continuo com vocês e todos os dias penso no futuro do nosso povo.

O Brasil e o mundo sabem que os procuradores da Lava Jato, o Sergio Moro e o TRF-4 armaram uma farsa judicial para impedir que eu fosse eleito presidente mais uma vez, como era a vontade da maioria dos eleitores. Fui condenado por “atos de ofício indeterminados”, ou seja: por nada. Não apresentaram uma prova contra mim e desprezaram todas as provas de minha inocência.

Hoje tenho certeza de que tenho o sono mais leve e a consciência mais tranquila do que aqueles que me condenaram. Não quero favores; quero simplesmente justiça. Não troco minha dignidade pela minha libertação.

Agradeço profundamente a solidariedade que recebo todos os dias, de pessoas do Brasil e de outros países. Agradeço aos companheiros da vigília Lula Livre, aos que mandam cartas ou me visitam em Curitiba, aos que fazem manifestações, redigem petições, atuam nas redes sociais exigindo o julgamento justo a que tenho direito.

Estou consciente de que, mesmo nas condições difíceis que estamos vivendo, não só no Brasil mas em muitos países, a luta pela efetivação dos Direitos Humanos vai seguir adiante. Ainda iremos construir um mundo de paz e fraternidade, onde todos e todas, sem exceção tenham direito a uma vida digna.

Até o dia do nosso reencontro, um abraço do companheiro

Luiz Inácio Lula da Silva

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