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28 de Maio de 2019 | Notícias

A hora de barrar a reforma da Previdência é agora

O secretário-geral do Sindicato alerta para a gravidade da proposta do governo e explica o que está em jogo na vida dos brasileiros

 

Para enfrentar o projeto de Brasil deste governo, que quer acabar com o direito à educação pública de qualidade e com o direito à aposentadoria dos brasileiros, os metalúrgicos do ABC se reunirão à resistência nas ruas. 

Na quinta-feira, dia 30, os trabalhadores se juntam aos estudantes, professores e demais categorias nas mobilizações em defesa da educação e contra a reforma da Previdência, em um esquenta para a Greve Geral convocada pela CUT e centrais sindicais para o dia 14 de junho.

O secretário-geral do Sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva, explicou o que está em jogo com a reforma da Previdência e convocou a categoria a participar das lutas.

Promessas de Brasil

"Quando fizeram a reforma Trabalhista e a Lei da Terceirização, prometeram que o Brasil ia crescer e gerar emprego. O que aconteceu foi só aumentar o desemprego. O discurso agora é que é preciso fazer a reforma da Previdência porque o Brasil está quebrado, e está mesmo. Mas não é pela Previdência Social."

Pizza do orçamento

"De todo o orçamento do Brasil, 24% foram para a Previdência Social. Esse é o maior gasto do governo? Não. O maior gasto é o pagamento de juros da dívida, mais de 40%, R$ 1,3 trilhão só no ano passado. A meta do governo com a reforma é economizar R$ 1,2 trilhão em 10 anos. Para que o Brasil precisa economizar das nossas aposentadorias?"

Quem a reforma alimenta?

"Temos que lembrar que foi aprovada a PEC da Morte, que congela investimentos públicos durante 20 anos. Então não vai aumentar investimentos em saúde, educação, segurança pública nem nas áreas sociais.

Se falo que quero economizar dinheiro nos próximos 10 anos sem ser para colocar nessas áreas, a reforma é para alimentar o sistema financeiro

Enquanto a média de aposentadoria dos brasileiros é de R$ 1.008, um bilionário que compra títulos da dívida, ganha R$ 136 mil por dia. Esse cara não quer empresa, nem produzir nada, nem contratar trabalhador."

O problema não é o déficit, é a economia

"O sistema da Seguridade Social foi criado em 1988 na Constituição Federal e até 2015 sobrou dinheiro. A Previdência se sustenta com nossas contribuições descontadas no holerite, das empresas e de impostos criados.

Em 2015, com o aprofundamento da crise, o primeiro reflexo é o desemprego: menos pessoas contribuem, as empresas têm menos pessoas trabalhando, menos consumo e menos arrecadação de impostos. O problema não é da Previdência Social, é da economia."

Privilégio não é receber R$ 1.008

"A maior preocupação que o governo deveria ter não é sanar a conta da Previdência, que ficou negativa por três anos e positiva por 17 anos. Temos que ter propostas de desenvolvimento, fortalecimento da indústria e geração de empregos.

Por causa de três anos querem mudar nossa vida sem resolver o problema da economia. Tem que acabar com os privilégios, sim. Mas privilégio não é a aposentadoria média de R$ 1.008, mas é a de quem ganha R$ 30 mil, 40 mil."

Fora os absurdos

"Colocam discussões inimagináveis como o FGTS, que não tem nada a ver com a Previdência. Querem tirar o Fundo de Garantia e a multa dos 40% do trabalhador aposentado. Quando sai da empresa já vai se organizando na vida porque receberá um valor muito inferior ao da ativa."

E quem já está aposentado?

"Tem aposentado que faz o discurso em defesa da reforma para não mudar a vida dele. Mas se passar a reforma, o governo tira a obrigatoriedade de reajustar a aposentadoria todos os anos. Hoje tem aumento porque é obrigado. Acha que vai ter reajuste sem ser? O benefício que é ruim vai ficar pior."

Só o cálculo já lasca

"Com a proposta, acaba a aposentadoria por tempo de contribuição. Tudo é vinculado à idade mínima de 65 anos homens e 62 anos mulheres. Só o cálculo do benefício já lasca a vida de todo mundo, já que a aposentadoria parte de 60% do valor. Para ter 100%, será preciso contribuir por 40 anos.

Fora isso, hoje o cálculo é feito ao descartar 20% das menores contribuições. Com a proposta a média será em cima de 100% de salários, inclusive os mais baixos de início da vida profissional. Isso vai jogar o valor da aposentadoria para baixo."

Capitalização é crime

"A capitalização é o que você poupar durante a vida. Ao chegar aos 65 anos, vai definir por quanto tempo quer receber o dinheiro dessa poupança, que é só sua. Se acha que está bem de saúde, imagina que vai viver mais 20 anos.

Mas dividir por 20 anos a sua poupança vai dar muito pouco por mês. Então você escolhe dividir o valor por 15 anos. A desgraça é que quando chegar aos 80 anos, acabou o dinheiro e você não morreu. Infelicidade sua se fez caminhada, se comeu comida balanceada."

Suicídio de idosos no Chile

"O maior exemplo é o Chile. Procure na internet ‘suicídio de idosos no Chile’. Ao completar a idade prevista, no outro dia não tem mais aposentadoria. As pessoas se desesperam e se matam. É uma modificação muito grande que querem fazer na sociedade brasileira, então não pode ser feita por um governo, pela Câmara dos Deputados e Senado Federal."

Somos contra!

"Tem jeito de tirar o Brasil do buraco, de melhorar a economia brasileira sem mexer na Previdência Social. Isso vai matar a gente, que depende de aposentadoria pra sobreviver depois de uma vida inteira de trabalho.

Temos que fazer a resistência, dar resposta e não deixar a reforma passar. O esquenta, junto com os estudantes e trabalhadores da educação, será na quinta, dia 30. A Greve Geral será no dia 14 de junho. Se essa reforma passar, lascou para o resto da vida. É uma alteração tão grande que não conseguiremos reverter. A hora de barrar é agora."

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