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29 de Maio de 2019 | Notícias

Privatização da Previdência é fracasso no mundo

Estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que a saída dos países que adotaram a capitalização da Previdência foi voltar atrás da decisão

A privatização da aposentadoria no Brasil, que o governo Bolsonaro quer adotar com a reforma da Previdência, fracassou na maioria dos países do mundo. A conclusão é do estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) “Revertendo as Privatizações da Previdência - Reconstruindo os sistemas públicos na Europa Oriental e América Latina”.

O diretor executivo do Sindicato e integrante do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Carlos Caramelo, afirmou que a medida precariza as relações na sociedade e a vida das pessoas.

 “Isso não é aposentadoria, é uma previdência privada. A reforma da Previdência, na verdade, acaba com o Sistema de Seguridade Social, o que atinge diretamente os direitos humanos”, explicou. “Cada trabalhador vai ter uma poupança individual com o que conseguir guardar durante a vida. Isso interessa apenas ao sistema financeiro”, prosseguiu.

Hoje o Sistema de Seguridade Social é formado por um tripé de contribuições dos trabalhadores, empresários e de impostos criados com essa finalidade. “A reforma da Previdência quer acabar com isso e deixar tudo nas costas dos trabalhadores”, reforçou.

O estudo da OIT analisou 30 países que privatizaram seus sistemas de seguridade social de 1981 a 2014. Desses, 18 países já reverteram total ou parcialmente a privatização da previdência: Equador (2002), Nicarágua (2005), Bulgária (2007), Argentina (2008), Eslováquia (2008), Estônia, Letônia e Lituânia (2009), Venezuela (2000), Bolívia (2009), Hungria (2010), Croácia e Macedônia (2011), Polônia (2011), Rússia (2012), Cazaquistão (2013), República Tcheca (2016) e Romênia (2017).

Além desses, outros países estão em processo de reversão, entre eles o Chile, que foi o primeiro país a adotar o sistema, em 1981. Os resultados dos primeiros aposentados pelo sistema é o aumento de suicídio de idosos.

“O que a pessoa faz quando fica desempregada e não consegue poupar? Se o trabalhador se acidentar, o dinheiro vai sair da sua poupança. E quando o dinheiro acabar? A proposta representa a miséria, é condenar a população ao caos social, ao afetar a dignidade das pessoas, durante e depois de uma vida inteira de trabalho”, analisou.

A reforma da Previdência é mais um ataque aos direitos dos trabalhadores. “É um potenciômetro de maldades, em um triângulo da desgraça com a terceirização, a reforma Trabalhista e agora a reforma da Previdência”, afirmou.

“Ao se sujeitar a trabalhos degradantes, em bicos, com aumento da informalidade, mais idade e menor remuneração, o modelo de capitalização nessa dinâmica vai condenar os brasileiros a trabalhar até morrer”, alertou.

A conclusão do estudo da OIT é que a capitalização representa “o baixo desempenho da previdência privada obrigatória” e defende a previdência pública como o melhor modelo: “A responsabilidade dos Estados de garantir a segurança de renda na idade avançada é melhor cumprida por meio do fortalecimento de sistemas públicos de previdência”, conclui o texto.

“Por isso, temos que defender o nosso futuro, dos nossos filhos e netos nas ruas. Dia 14 de junho é Greve Geral”, chamou o dirigente.

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