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18 de Julho de 2019 | Notícias

Metalúrgicos do ABC iniciam 9º Congresso

Fotos: Adonis Guerra

A mesa “Democracia sob ataque” abriu o 9º Congresso na tarde de ontem na Sede. Participaram o economista e professor da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, a presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, e o presidente dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão.

A diretora executiva Michelle Marques apresentou o conceito de democracia e seu histórico no Brasil, lembrou que o país vive hoje um dos seus piores momentos e que o Sindicato sempre foi protagonista na defesa das questões democráticas. “O Sindicato teve papel de destaque e se tornou referência nacional e internacional sobre o papel dos sindicatos na defesa da democracia”.

A CSE na Ford, Simone Vieira, leu emocionada a carta escrita pelo presidente Lula e enviada aos Metalúrgicos pela ocasião do Congresso.

Hoje e sábado, serão discutidos os temas: trabalho e indústria, regionalidade, trabalho de base, estratégias de organização sindical. Em seguida, haverá os trabalhos em grupo para aprofundar os temas e as propostas.

Querido Wagnão, queridos companheiros e companheiras,

Esta mensagem é para saudar o 9º Congresso dos Metalúrgicos do ABC. Fico feliz em saber que o nosso Sindicato continua debatendo as grandes questões da classe trabalhadora no Brasil. Esse debate é cada vez mais importante, porque é realmente criminoso o que estão fazendo com o nosso país, entregando nossas riquezas, rasgando direitos e conquistas históricas dos trabalhadores.

É urgente defender a Petrobras, a Eletrobras, os bancos públicos e todo o patrimônio construído com esforço de muitas gerações. Essas empresas pertencem ao povo e são fundamentais para o país se desenvolver novamente, criando empregos e oportunidades. Não podemos permitir que sejam destruídas.

Eu sei o valor dos metalúrgicos do ABC, porque foi com vocês que aprendi a lutar por um país melhor. E sei que o Brasil e a classe trabalhadora podem contar com nosso Sindicato para tornar este sonho possível.

Agradeço de coração a solidariedade que tenho recebido das companheiras e companheiros nesses tempos tão difíceis. É o que me faz ter certeza de que vamos nos encontrar novamente.

Um grande abraço do companheiro Lula.

“A democracia sofreu um golpe com o impeachment da presidenta Dilma, a prisão injusta do presidente Lula e ataques aos movimentos sociais. Bolsonaro ganhou a eleição, mas não foi legítima por tirar o jogador que tinha todas as chances de ganhar o campeonato e manipular tudo pelo WhatsApp e Facebook.

Não podemos dizer que estamos em uma democracia. Temos visto uma nuvem, uma forma de dizer que existe democracia no país, já que não temos um dos pilares, que é ter os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, funcionando independentes. Vemos hoje que têm o objetivo único de dar validade à retirada de direitos dos trabalhadores.

Temos o grande desafio de restabelecer a democracia e os nossos direitos. Para um país ter realmente democracia, é preciso pensar em todos.”

Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

“A democracia, direitos e trabalho devem ser tratadas conjuntamente. Bolsonaro disse: ‘o trabalhador tem que escolher entre emprego ou direitos’. Isso é um despropósito completo, é assustador. Democracia, direitos e trabalho são questões que estão ameaçadas, não só pelo momento atual, mas pelas transformações que o capitalismo está sofrendo.

O fechamento da Ford é apenas um episódio da desindustrialização que assola a economia brasileira. Temos hoje 13 milhões de desempregados e mais 20 e tantos milhões que estão em trabalhos precários e isso vai piorar. A democracia só vai sobreviver se nós conseguirmos mobilizar nossos irmãos que estão nessa situação para compreenderem que a situação deles só vai mudar se tivermos atitudes no sentido de afastar essas bobagens que o os caras estão dizendo aí. 

Eu espero que neste Congresso vocês desenvolvam essa capacidade de pensar, de resistir porque pensar hoje em dia no Brasil é um ato heroico.”

Luiz Gonzaga Belluzzo, economista e professor da Unicamp.

“O exercício da democracia tem tudo a ver com o tema deste Congresso. Certamente não é a utilização dos espaços democráticos para propagar o ódio e a intolerância a opiniões divergentes. Liberdade de expressão não significa a expressão da intolerância.

Entender a conjuntura é entender o forte ataque deste governo com características fascistas. O fascismo se utiliza do ódio, da discriminação às minorias, da religião como instrumento de dominação, e das mentiras, agora chamadas fake news, como instrumento de dominação de parcela da sociedade. Esse governo fascista tem que eliminar seus opositores, nem que seja com a eliminação da vida.

Os delegados e as delegadas deste Congresso têm o desafio e a responsabilidade de tomar decisões de como a classe trabalhadora vai resistir aos ataques contra os direitos. Não há dúvidas, o que estamos vivendo no país é luta de classes.”

Wagner Santana, o Wagnão, presidente dos Metalúrgicos do ABC

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