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11 de Fevereiro de 2020 | Notícias

Governo sentirá a fúria dos "parasitas"

Chamados de parasitas por Guedes, servidores públicos preparam mobilizações nacionais em defesa do serviço público e contra o desmonte do Estado

Na lingua­gem popu­lar o termo parasita é usado para definir o “in­divíduo que vive à custa alheia por pura exploração ou preguiça”. A palavra foi a escolhida pelo ministro da Econo­mia, Paulo Guedes, em um seminário na última sexta-fei­ra, 7, para se referir aos funcionários públicos brasilei­ros. O termo está em alta já que o filme vencedor do Oscar, que retrata grandes desigual­dades sociais, tam­bém leva este nome (leia mais na coluna do Dieese).

A fala do minis­tro ocorreu enquan­to ele tentava defen­der as reformas que pretendem alterar drasticamente as regras do funcio­nalismo público. "O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação. Tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria ge­nerosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita. Dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automá­tico. Não dá mais", afirmou Guedes. Após a forte reper­cussão negativa da fala, Guedes divul­gou nota se descul­pando.

O presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, avalia que, apesar da tentativa de se desculpar, só após notar que a fala foi prejudicial para ob­ter aprovação à re­forma administra­tiva, o xingamento usado por Guedes está totalmente alinhado ao que o governo pensa do trabalhador.

“Não é de hoje que os trabalhado­res brasileiros são ofendidos por go­vernos de direita. À sua época, Fernan­do Henrique cha­mou os aposenta­dos de vagabundos, gerando enorme re­volta na população. Agora, mais uma vez, este governo, que já ofendeu os desempregados di­zendo que patrão só manda embora quem não está ren­dendo, tenta humi­lhar a classe traba­lhadora”.

Apenas para citar outro exemplo re­cente, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, chamou professores de uni­versidades federais de "zebras gordas", em setembro do ano passado, acusando­-os de ganhar altos salários e não tra­balhar.

“É revoltante para trabalhado­res, especialmente os servidores que trabalham duro nas áreas de saúde, edu­cação, meio am­biente e segurança serem chamados de parasitas justo por aqueles que são os verdadeiros pa­rasitas brasileiros. Guedes, que sempre viveu às custas de especulação do sis­tema financeiro, e Bolsonaro que ficou 28 anos na Câmara sem nunca ter apro­vado um projeto e ainda levou jun­to seus filhos. Que essa revolta seja um impulsionador para as mobilizações em defesa do serviço público”, lembrou.

Dia Nacional de Mobilizações

Contra a reforma administrativa e as pautas de ataque ao funcionalismo e aos serviços públicos nas esferas federal, estadual e municipal, a CUT-SP e demais centrais sindicais farão uma plenária no próximo dia 18 de fevereiro, às 17h, no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, para discutir a organização do Dia Nacional em Defesa do Serviço Público, dos Servidores, Contra a Privatização e o Desmonte do Estado, em 18 de março. Em São Paulo, o ato dos servidores será a partir das 16h, no Masp, na Avenida Paulista.

As centrais também preparam o ato da próxima sexta-feira, 14, contra o caos nas agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o Brasil (acompanhe nas próximas edições da Tribuna).

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